Sim, Jesus é o único Deus. Ele é o Senhor, diante de quem todos os joelhos devem se dobrar.
Olá, sou Antonio Garcia e hoje pretendo refletir sobre o Evangelho de Jesus Cristo segundo Evangelho de São João, proposto nesta liturgia dominical.
Jesus está na Última Ceia e se despede dos seus discípulos. Nesse momento de despedida, Ele pronuncia palavras extraordinárias, de uma gravidade e importância impressionantes para a nossa fé cristã.
Jesus diz aquelas duas grandes frases que todos nós conhecemos de cor e que estão nesse contexto de confidência de Cristo aos seus apóstolos, antes de partir, antes de se entregar na cruz, morrer, ressuscitar e subir ao céu.
Assista, ao final deste artigo, ao vídeo que apresenta reflexões que provam de que Jesus é Deus.
Ninguém vai ao Pai senão por Mim
Jesus afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Trata-se de uma frase extraordinária, que repetimos tantas vezes, mas sobre a qual é necessário refletir para compreender realmente o seu conteúdo e aquilo que podemos tirar dessa revelação divina.
A segunda frase é aquela dirigida a São Felipe: “Quem me viu, viu o Pai”. Por isso, Jesus e o Pai são um só. “Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?”
Diante dessa identidade de Jesus, alguns autores racionalistas do século XIX e início do século XX passaram a investigar o pensamento de Cristo como pessoas céticas, analisando seus ensinamentos sem fé.
Alguns chegaram à conclusão de que Jesus era um gênio, um homem extraordinário, dotado de grande inteligência e admirável capacidade, um dos grandes gênios da humanidade.
O problema, porém, é que, diante de certas afirmações de Jesus, se você admite que Ele é um gênio, também precisa admitir que Ele é Deus.
Porque, quando Jesus diz: “Quem me vê, vê o Pai”, “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, ou ainda “Eu sou a ressurreição e a vida”, como no episódio de Lázaro, e quando Ele pede que tenhamos fé nele da mesma forma que temos fé no Pai, como no início deste Evangelho: “Tendes fé em Deus, tende fé em mim também”…
Diante disso só há duas possibilidades: ou Jesus é Deus, ou é um louco.
Por quê? Porque uma pessoa mentalmente equilibrada não diria tais coisas. Um ser humano em pleno juízo não pediria fé absoluta em si mesmo, nem afirmaria ser o caminho, a verdade e a vida, ou a própria ressurreição.
Jeus não era apenas um gênio e sim Deus
Portanto, não é possível concluir que Jesus seja apenas um gênio da humanidade. Não existe meio-termo.
Diante das afirmações de Cristo, a escolha é radical: ou Ele é um louco, completamente fora da realidade, ou é verdadeiramente Deus.
E, diante de Jesus que pede fé, adoração e confiança total, só podemos concluir que Ele é Deus.
Assim, esses próprios racionalistas deveriam dar o passo da fé. Pois, ao analisarem Jesus com critérios humanos, chegaram à conclusão de que Ele não é louco.
Ora, se não é louco, então é Deus. Porque não pode ser apenas um homem genial ou iluminado, um ser inteligente não exige ser objeto de fé nem se coloca como igual a Deus.
Esse Evangelho nos coloca diante do escândalo do cristianismo.
Talvez alguém que esteja ouvindo diga: “Mas padre, eu entendi a lógica. Racionalmente, ou Jesus é Deus ou é um louco. Eu não o considero louco, mas não consigo dar o passo da fé. O que faço?”
Aqui entramos na necessidade da graça divina. Para dar o passo da fé, é preciso a graça de Deus. Por isso, aqueles que não têm fé, ou a perderam, ou possuem apenas uma fé superficial, precisam pedir: “Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”.
Jesus quer nos dar o dom da fé. Mas, para recebê-lo, precisamos dar dois passos.
Não é possível ser Cristão sem rezar
O primeiro passo é a oração. Não é possível ser cristão sem rezar. É necessário dedicar um tempo real, concreto, a Deus, pedindo a sua graça. Trata-se daquilo que chamamos de graça atual, que atua em nossa vida.
Talvez você diga: “Mas como vou pedir, se não creio? E como vou crer, se não peço?” Parece uma contradição. Mas você já tem graça suficiente para começar. Dê o passo. Reze. Fale com Deus.
Mesmo que pareça estranho, mesmo que você sinta que está falando sozinho, ajoelhe-se, feche a porta do seu quarto e fale com Deus. Peça a fé. Contemple a paixão de Cristo. Coloque-se diante de um crucifixo e diga:
“Senhor, eu não quero dizer apenas com os lábios que creio no vosso amor manifestado na cruz. Quero crer com o coração e viver isso com a minha vida.”
Jesus é a vida da nossa alma. Longe d’Ele, nada podemos.
A segunda realidade é a mudança de vida. É preciso romper com o pecado mortal. O pecado é uma falsa vida, uma morte disfarçada. Viver no pecado é como viver como um morto-vivo.
E isso você pode perceber dentro de si. Basta ser sincero.
É preciso crer em Jesus como único Deus
Por isso, ajoelhe-se diante daquele que é a vida. Creia que o menino que nasceu em Belém é a razão de ser do universo. Incline não só a cabeça, mas a sua inteligência diante de Deus.
A fé não é irracional. Pelo contrário, é reconhecer que existe uma inteligência superior, que criou tudo com ordem, verdade e amor.
Esse Deus infinito se inclinou até você. Eis o grande mistério.
Diante do universo imenso, Deus se volta para você. Como diz o Salmo: “O que é o homem para dele te lembrares?”
E, no entanto, Ele se lembrou. Ele nos amou. Veio ao nosso encontro, nasceu, viveu e morreu por nós.
Ajoelhe-se diante da cruz. Contemple as chagas de Cristo e adore esse amor.
Diga: “Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé. Eu me ajoelho diante da vossa humanidade e creio na vossa divindade.”
Se você fizer isso, estará dando o primeiro passo no caminho da fé, entrando no edifício espiritual de que fala a Primeira Carta de Pedro.
O tempo pascal é tempo de renovar a fé. Quem não tem, peça. Quem tem pouca, peça mais. E quem acha que tem suficiente, deve fazê-la crescer ainda mais.
A fé é uma graça e precisa ser cultivada.
Lembro-me da história de São João Maria Vianney, que recebeu um homem sem fé. Ele pediu respostas para suas dúvidas, e o santo respondeu: “Ajoelhe-se e confesse”.
Após resistir, o homem obedeceu. Confessou-se. Ao final, suas dúvidas haviam desaparecido.
Muitas vezes, falta apenas a atitude. A graça já está presente, mas é preciso dar o passo.
Sem oração, sem mudança de vida, a fé não cresce, pelo contrário, definha.









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