Antes de tudo, Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face é uma das santas mais amadas da Igreja Católica.
Embora tenha vivido apenas 24 anos e permanecido escondida no Carmelo de Lisieux, na França, sua espiritualidade simples, profunda e transformadora atravessou séculos.
Além disso, sua vida gerou incontáveis milagres, conversões e frutos espirituais, a ponto de levá-la a ser proclamada Doutora da Igreja, um título reservado a poucos santos.
Observação: Assista aos dois videos inseridos neste artigo. O primeiro, logo abaixo, trata do testemunho de Bernado Kuster, um protestante que se converteu ao Catolicismo por intermédio de Santa Terezinha. E o segundo, no final do artigo, trata dos segredos de Santa Terezinha.
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Vídeo de Testemunho de Bernardo Kuster à Igreja Católica por intermédio de Santa Terezinha
O coração do Evangelho redescoberto por Santa Terezinha
Em primeiro lugar, Santa Terezinha percebeu um aspecto essencial do Evangelho que muitos, ao longo da história, acabaram obscurecendo: o caminho da humildade e do esvaziamento de si. Assim como Jesus e Maria Santíssima, ela compreendeu que tudo é graça.
Nesse sentido, Maria, mesmo sendo Imaculada, proclama no Magnificat:
“O Poderoso fez em mim maravilhas, e santo é o seu nome” (Lc 1,49).
Ou seja, a glória não é da criatura, mas inteiramente de Deus. Do mesmo modo, Jesus, conforme ensina São Paulo,
“esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo” (Fl 2,7).
Santa Terezinha seguiu exatamente esse mesmo caminho: apresentar-se diante de Deus de mãos vazias, confiando não em méritos próprios, mas na misericórdia divina.
A “Pequena Via”: santidade ao alcance de todos
A princípio, Terezinha desejava realizar grandes obras: queria ser missionária, mártir, sacerdote e profeta. Contudo, ao aprofundar sua vida espiritual, ela descobriu algo decisivo:
“No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor.”
Assim, ela entendeu que não precisava sair do Carmelo nem realizar feitos extraordinários. Pelo contrário, amar intensamente nas pequenas coisas era suficiente. Dessa forma nasceu a famosa “Pequena Via”, um caminho espiritual acessível a todos os estados de vida.
Portanto, qualquer ação cotidiana, desde pegar um alfinete do chão até cuidar de um filho durante a madrugada, pode se tornar um ato de santidade quando feito por amor a Jesus.
Mãos vazias: misericórdia acima dos méritos
Historicamente, Santa Terezinha viveu em um contexto fortemente marcado pelo jansenismo, uma corrente espiritual rigorista que enfatizava a contabilidade de méritos. Era comum que fiéis anotassem boas obras, orações e sacrifícios para “apresentá-los” a Deus.
Entretanto, Terezinha percebeu algo essencial: quando o cristão busca ser amado por justiça, perde a beleza de ser amado por misericórdia. Por isso, ela adotou um princípio radical: não reter para si nenhum mérito.
Consagrada a Nossa Senhora pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort, ela entregava todos os seus méritos à Virgem Maria, desejando permanecer sempre pobre, pequena e dependente de Deus.
Contrição e amor: o motor da verdadeira conversão
Além disso, Santa Terezinha ensinou, com sua vida, a diferença entre atrição e contrição. Enquanto a atrição nasce do medo ou do conhecimento do erro, a contrição brota do amor.
Assim, ela mostrou que o que realmente agrada a Deus não é apenas o saber, mas o amor que move o coração. Por isso, mesmo sem ser uma grande teóloga acadêmica, tornou-se uma gigante da espiritualidade cristã.
Uma vida escondida, uma santidade imensa
Exteriormente, Terezinha era igual às demais religiosas do Carmelo. Contudo, interiormente, sua alma estava profundamente unida a Cristo. Não por acaso, viveu intensamente as etapas mais elevadas da vida mística, alcançando a chamada união transformante, descrita por Santa Teresa de Jesus.
Ela própria afirmava que era pequena demais para subir as “montanhas” da santidade. Por isso, pediu a Jesus um “elevador”:
a confiança total no Amor Misericordioso.
Breve biografia de Santa Terezinha do Menino Jesus
Santa Terezinha nasceu em 2 de janeiro de 1873, em Alençon, França, como Maria Francisca Teresa Martin. Filha de São Luís e Santa Zélia Martin, cresceu em um lar profundamente cristão.
Após perder a mãe ainda criança, enfrentou grandes sofrimentos emocionais. Aos 15 anos, ingressou no Carmelo de Lisieux. Viveu ali apenas nove anos, marcados por oração, sacrifício e amor escondido.
Em 1897, após um intenso sofrimento físico e espiritual causado pela tuberculose, faleceu pronunciando suas últimas palavras:
“Meu Deus, eu vos amo.”
Milagres, devoção e reconhecimento da Igreja
Logo após sua morte, começaram a surgir inúmeros relatos de milagres, conversões e graças alcançadas por sua intercessão. Em 1923, foi beatificada pelo Papa Pio XI e, em 1925, canonizada.
Mais tarde, em 1997, São João Paulo II a proclamou Doutora da Igreja, reconhecendo oficialmente o valor universal de sua doutrina espiritual.
Por que Santa Terezinha é Doutora da Igreja?
A Igreja concede o título de Doutor àqueles que ensinam de modo profundo e seguro o Evangelho. Santa Terezinha fez isso ao revelar que a santidade não está nas grandes obras, mas no amor vivido com confiança e humildade.
Seu ensinamento permanece atual: Deus não nos ama porque somos fortes, mas porque somos pequenos e confiamos n’Ele.
Um caminho simples para uma grande santidade
Por fim, Santa Terezinha do Menino Jesus nos recorda que a santidade é possível para todos. Basta amar, confiar e entregar-se. Sua famosa frase resume toda a sua espiritualidade:
“Deus não me inspiraria desejos irrealizáveis.”
Que Santa Terezinha interceda por todos nós e nos ensine a trilhar, com simplicidade, a Pequena Via do Amor.
Vídeo que traz os Segredos de Santa Terezinha
Referências
- BÍBLIA SAGRADA. Evangelho de Lucas 1,46-55; Carta aos Filipenses 2,5-11.
- TERESA DO MENINO JESUS. História de uma Alma. Carmelo de Lisieux.
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Vaticano.
- JOÃO PAULO II. Homilia da proclamação de Santa Teresa do Menino Jesus como Doutora da Igreja (1997).
- CONGREGAÇÃO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Documentos oficiais sobre Santa Teresinha de Lisieux.

